Primeira noite da criança na casa dos avós (ou longe de você): como preparar
A primeira noite longe de casa é um passinho importante, para a criança e para você. Boa notícia: não existe idade ideal para dar esse passo. O que conta é preparar o terreno com calma, levar alguns objetos familiares e passar a rotina noturna para os avós. E manter a confiança, porque a criança sente isso.
Com que idade uma criança pode dormir na casa dos avós?
Não existe uma resposta única, e isso até tranquiliza. Naître et grandir, um site quebequense sobre o desenvolvimento infantil, escreve com clareza: “não existe idade ideal para que a sua criança comece a dormir em outro lugar sem você.” O bom indicador é a própria criança. “Confie antes de tudo no temperamento dela e no seu julgamento”, aconselha o site, já que algumas crianças se adaptam às mudanças com mais facilidade do que outras.
Um ponto também conta: a sua própria serenidade. Naître et grandir destaca: “se você confia que tudo vai correr bem, a sua criança vai sentir isso.” E o site acrescenta uma ressalva útil. Se a sua criança está atravessando um período cheio de mudanças, às vezes é melhor esperar um pouco: “pergunte-se se o momento é bem escolhido para fazê-la dormir em outro lugar”.
Como prepará-la com calma?
Por pequenos degraus, em vez de um grande salto. Naître et grandir recomenda ir aos poucos: “planeje momentos curtos de separação e estenda-os pouco a pouco.” Na prática, “você pode começar deixando-a sob os cuidados de alguém por uma hora, depois uma manhã ou um fim de tarde, um dia e, por fim, uma noite”.
Fale sobre isso também com antecedência, e de forma positiva. O site aconselha: “fale com ela sobre isso um dia ou dois antes”, e apresente a noite na casa dos avós “como um acontecimento positivo”. Uma frase do tipo “você vai dormir na casa da vovó e do vovô, e isso é bom” prepara o cenário de um momento especial, não de um arrancamento.
Que objetos levar para tranquilizá-la?
Pedacinhos de casa, em resumo. Naître et grandir aconselha: “Para tranquilizar a sua criança, coloque na bagagem dela objetos que lembrem a casa, como o paninho ou o bichinho de pelúcia preferido.” A ideia é recriar um pouco do conhecido num lugar desconhecido.
O site vai além nos pontos de referência sensoriais: “você também pode levar um lençol da casa ou uma das suas roupas, para que ela durma com um cheiro familiar. Também pode ser uma luz noturna ou um objeto luminoso que ela costuma ter no quarto.” E se a sua criança gosta de ter o controle, deixe-a escolher entre dois objetos o que vai levar. O paninho, aliás, tem o seu próprio guia.
“Uma noite na casa da Vovó Texugo”
Uma história bem suave, sem telas, sobre a primeira noite longe de casa. Você faz o carinho, o Tilibou cuida da voz.
Ouvir a históriaÉ preciso preparar os avós?
Sim, e é muitas vezes o que muda tudo. Naître et grandir sugere “explicar à pessoa que cuida da sua criança o que você faz para prepará-la para o soninho”: banho, história, canção de ninar, os seus pequenos truques certeiros. “A sua criança vai se sentir tranquila ao reconhecer a rotina dela e vai entender que a hora do soninho está chegando.”
Não é preciso, porém, mirar na cópia perfeita. “Não se preocupe se as coisas acontecerem um pouco diferente de como é em casa”, tranquiliza o site. “A sua criança pode se adaptar a diferentes jeitos de fazer.” O essencial cabe em uma frase de Naître et grandir: “o que mais conta é que ela esteja com pessoas amorosas, confiantes e tranquilizadoras.”
Na casa de uma tia, de um amigo da família: as mesmas referências
Tudo o que vimos até aqui vale também quando a primeira noite acontece em outro lugar que não a casa dos avós. Naître et grandir fala, aliás, dessas noites “na casa dos avós, de uma tia ou de um amigo da família”. A única diferença, muitas vezes: a sua criança conhece menos o lugar. Para preparar uma criança para as separações, o site aconselha “falar com ela sobre o lugar aonde ela vai, levá-la até lá com antecedência, se possível, repetir as etapas e o passo a passo do que vai acontecer”. Na prática:
- Conte a ela onde vai dormir, com quem e como vai ser a noite.
- Se possível, mostre antes o lugar e o quarto, ou fotos.
- Diga com clareza quem vai buscá-la, e quando: “A gente vem te buscar amanhã, depois do café da manhã.”
- Arrumem a mochila juntos: ela participa e sabe o que está levando.
A hora da despedida
Muitas vezes é a passagem mais delicada, para você e para ela. Naître et grandir recomenda um ritual de despedida “breve e neutro”: “dar um beijo, dizer tchau e especificar quem vai voltar para buscá-la, e então sair”. Melhor não se demorar, porque “prolongar o momento da separação com uma criança em crise não é recomendado”.
Cumpra também as suas promessas. O site aconselha “respeitar o horário de volta prometido”. Se você disse que ia ligar antes da hora de dormir, ligue. Esses pequenos compromissos cumpridos ajudam a sua criança a confiar em você nas próximas noites longe de você.
E se ela reagir mal na volta?
É possível, e não é um fracasso. Naître et grandir explica que uma criança pode ficar de mau humor ou fazer uma birra depois de uma noite na casa dos avós, sobretudo por volta dos 2 anos, porque ela precisa sentir que controla o seu ambiente. Esse tipo de reação, detalha o site, “demonstra a frustração do seu pequeno por não controlar a situação”.
O que ajuda então: acolher a emoção em vez de corrigi-la. O site aconselha “demonstrar compreensão e incentivá-la a nomear o que sente”. Ao longo das estadas, a criança desenvolve a sua capacidade de adaptação. E o benefício é real: dormir em outro lugar “permite à criança viver novas experiências e criar belos laços com as pessoas à sua volta”.
As perguntas que você se faz
Minha criança chora quando a deixamos: é preciso desistir?
Não necessariamente. Segundo Naître et grandir, “não é porque a sua criança reage no momento da separação que você deve parar de fazê-la dormir em outro lugar”. Uma pausa às vezes é útil. Se a aflição for intensa e se repetir, você pode conversar com um profissional.
É preciso um horário fixo para a noite na casa dos avós?
Não. Naître et grandir explica que a pessoa que cuida “não precisa ter um horário fixo”. A criança pode deitar um pouco mais tarde ou ser ninada em vez de ouvir uma história. O importante é que ela se sinta em confiança.
Que objetos mais ajudam a minha criança a dormir em outro lugar?
Segundo Naître et grandir, os objetos familiares tranquilizam: paninho ou bichinho de pelúcia, um lençol ou uma roupa da casa pelo cheiro, e a luz noturna de sempre. Deixar a criança escolher o que vai levar reforça o seu sentimento de controle.