O medo de tempestade e dos barulhos à noite
O trovão, uma janela que bate, um estalo que não se reconhece: à noite, esses sons ganham uma dimensão totalmente diferente para uma criança. Por volta dos 3 anos, a imaginação dela transforma com facilidade um barulho em monstro. O que acalma é colocar palavras nos sons, levar o medo a sério e devolver a ela um pouco de controle.
Por que os barulhos dão tanto medo à noite?
Porque a criança não vê de onde eles vêm, e a imaginação dela preenche o vazio. Naître et grandir, um site quebequense sobre o desenvolvimento infantil, explica: nessa idade, a criança “ainda não distingue muito bem o que é real do que não é. Se ela ouve um barulho que não reconhece, pode imaginar que é um monstro rosnando.”
Os barulhos que não se reconhece aparecem, aliás, em destaque entre os medos típicos dessa idade. Por volta dos 3 anos, lembra Naître et grandir, os medos mais frequentes são “os do escuro, dos monstros e dos barulhos que a criança não reconhece”. A tempestade, com seu trovão repentino e seus relâmpagos, marca todos esses pontos.
Colocar palavras nos sons
Esse é muitas vezes o gesto mais eficaz. Um barulho nomeado dá menos medo do que um barulho misterioso. Explicar com calma de onde vem o trovão, o barulho da chuva, o estalo do aquecedor que esfria, ajuda a criança a arrumar esses sons do lado do real e do conhecido.
O princípio, segundo Naître et grandir, é tranquilizar a sua criança “ajudando-a a fazer a diferença entre o seu imaginário e a realidade”. A gente não nega o medo, a gente esclarece o que o desencadeia. E não se esquece do passo anterior: “sua criança precisa que você leve os medos dela a sério e que a tranquilize”. Levar a sério não quer dizer validar o monstro, mas validar a emoção.
“A tempestade que fazia bum”
Uma história bem suave, sem telas, em que o trovão vira um personagem que a gente domestica. Você faz o carinho, o Tilibou cuida da voz.
Ouvir a históriaDevolver a ela um sentimento de controle
Quando o medo não passa apesar das explicações, Naître et grandir propõe um caminho: “ofereça a ela uma ação imaginária para aumentar o sentimento de controle dela quando as suas palavras não a tranquilizam.” Uma espada de plástico contra um monstro imaginário, por exemplo. “Saber o que fazer permite à sua criança ter confiança suficiente em si mesma para conseguir adormecer.”
O site acrescenta uma observação honesta: essa estratégia “funciona bem com os bem pequenos, mas é menos eficaz depois dos 6 anos”. Para os maiores, voltamos antes às palavras e à escuta. E mantemos o rumo: mesmo quando entramos no jogo da espada, repetimos para ela que os monstros “não existem e que não há lobos na casa”.
Os bons hábitos da noite, inclusive em noite de tempestade
As referências continuam as mesmas que para qualquer medo na hora de deitar, e Naître et grandir as resume bem:
- Uma rotina calma: história, música suave, uma massagenzinha, que ajuda a liberar as tensões do dia.
- Uma luz noturna ou uma lanterna que a criança mantém sob controle, “tranquilizadora para ela”.
- A porta entreaberta, para que ela ouça você e se sinta menos sozinha.
- Lembrar a ela que a casa é segura, “que as portas e as janelas estão trancadas”.
Em uma noite de tempestade, a sua presença calma vale mais do que qualquer discurso. Um fundo sonoro suave, como uma história em áudio, também pode ajudar a cobrir os barulhos de fora e a reorientar a atenção da criança para algo tranquilizador.
As perguntas que você se faz
Preciso ficar com a minha criança durante toda a tempestade?
A sua presença tranquiliza, e não há mal em ficar um tempo. A ideia, com o tempo, é ajudá-la a se acalmar por conta própria, com pontos de referência (luz noturna, palavras sobre os barulhos, porta entreaberta). Se o medo de tempestade for muito intenso e tomar conta dela, você pode conversar com um profissional.
Como explicar a tempestade sem assustá-la ainda mais?
Mantenha-se simples e calmo: a chuva, o vento, o barulho do trovão que vem depois da luz. Nomear os sons ajuda a criança a arrumá-los do lado do real, o que Naître et grandir resume como “fazer a diferença entre o seu imaginário e a realidade”.
Minha criança quer ouvir uma história durante a tempestade: boa ideia?
Sim, uma história suave faz parte de uma rotina que acalma e pode ajudar a desviar a atenção dos barulhos de fora. Ela não substitui a sua presença nem, em caso de medo muito forte e persistente, a orientação de um profissional.