O medo de tempestade e dos barulhos à noite
O trovão, uma janela que bate, um estalo que não se reconhece: à noite, esses sons ganham uma dimensão totalmente diferente para uma criança. Por volta dos 3 anos, a imaginação dela transforma com facilidade um barulho em monstro. O que acalma é colocar palavras nos sons, levar o medo a sério e devolver a ela um pouco de controle.
Por que os barulhos dão tanto medo à noite?
Porque a criança não vê de onde eles vêm, e a imaginação dela preenche o vazio. Os especialistas explicam: nessa idade, a criança ainda não distingue muito bem o que é real do que não é. Se ela ouve um barulho que não reconhece, pode imaginar que é um monstro rosnando.
Os barulhos que não se reconhece aparecem, aliás, em destaque entre os medos típicos dessa idade. Por volta dos 3 anos, lembram os especialistas, os medos mais frequentes são os do escuro, dos monstros e dos barulhos que a criança não reconhece. A tempestade, com seu trovão repentino e seus relâmpagos, marca todos esses pontos.
Colocar palavras nos sons
Esse é muitas vezes o gesto mais eficaz. Um barulho nomeado dá menos medo do que um barulho misterioso. Explicar com calma de onde vem o trovão, o barulho da chuva, o estalo do aquecedor que esfria, ajuda a criança a arrumar esses sons do lado do real e do conhecido.
O princípio, segundo os especialistas, é ajudá-la a fazer a diferença entre o seu imaginário e a realidade. A gente não nega o medo, a gente esclarece o que o desencadeia. E não se esquece do passo anterior: a sua criança precisa que você leve os medos dela a sério e que a tranquilize. Levar a sério não quer dizer validar o monstro, mas validar a emoção.
"A tempestade que fazia bum"
Uma história bem suave, sem telas, em que o trovão vira um personagem que a gente domestica. Você faz o carinho, o Tilibou cuida da voz.
Ouvir o episódioDevolver a ela um sentimento de controle
Quando o medo não passa apesar das explicações, os especialistas propõem um caminho: ofereça a ela uma ação imaginária para aumentar o seu sentimento de controle quando as suas palavras não a tranquilizam. Uma espada de plástico contra um monstro imaginário, por exemplo. Saber o que fazer permite à sua criança ter confiança suficiente em si mesma para conseguir adormecer.
Os especialistas acrescentam uma observação honesta: essa estratégia funciona bem com os bem pequenos, mas é menos eficaz depois dos 6 anos. Para os maiores, voltamos antes às palavras e à escuta. E mantemos o rumo: mesmo quando entramos no jogo da espada, repita para ela que os monstros não existem.
Os bons hábitos da noite, inclusive em noite de tempestade
As referências continuam as mesmas que para qualquer medo na hora de deitar, e os especialistas as resumem bem:
- Uma rotina calma: história, música suave, uma massagenzinha, que ajuda a liberar as tensões do dia.
- Uma luz noturna ou uma lanterna que a criança mantém sob controle, tranquilizadora para ela.
- A porta entreaberta, para que ela ouça você e se sinta menos sozinha.
- Lembrar a ela que a casa é segura, que as portas e as janelas estão trancadas.
Em uma noite de tempestade, a sua presença calma vale mais do que qualquer discurso. Um fundo sonoro suave, como uma história em áudio, também pode ajudar a cobrir os barulhos de fora e a reorientar a atenção da criança para algo tranquilizador.
As perguntas que você se faz
Preciso ficar com a minha criança durante toda a tempestade?
A sua presença tranquiliza, e não há mal em ficar um tempo. A ideia, com o tempo, é ajudá-la a se acalmar por conta própria, com pontos de referência (luz noturna, palavras sobre os barulhos, porta entreaberta). Se o medo de tempestade for muito intenso e tomar conta dela, você pode conversar com um profissional.
Como explicar a tempestade sem assustá-la ainda mais?
Mantenha-se simples e calmo: a chuva, o vento, o barulho do trovão que vem depois da luz. Nomear os sons ajuda a criança a arrumá-los do lado do real, o que os especialistas resumem por fazer a diferença entre o seu imaginário e a realidade.
Minha criança quer ouvir uma história durante a tempestade: boa ideia?
Sim, uma história suave faz parte de uma rotina que acalma e pode ajudar a desviar a atenção dos barulhos de fora. Ela não substitui a sua presença nem, em caso de medo muito forte e persistente, a orientação de um profissional.