Ajudar seu filho a dormir nas férias, num lugar desconhecido
Você sonhou com essas férias, e eis que seu filho não dorme. Cama desconhecida, cheiros diferentes, sons que ele não reconhece: longe do quarto, ele perde as suas referências, e à noite isso se sente. A boa notícia é que as referências dele não estão nas paredes. Elas estão numa rotina, num paninho, numa história sempre a mesma. Tudo isso cabe na mala.
Por que meu filho não dorme nas férias?
Porque tudo o que o ajudava a adormecer mudou de uma vez. O quarto dele era um lugar que ele conhecia de cor: a luz, a sombra do móvel, o barulho da geladeira na cozinha ao lado. Nas férias, nada disso. A cama é mais mole ou mais dura, o teto não tem a mesma forma, e lá fora não são os carros de sempre, mas grilos ou ondas. Para uma criança pequena, são muitas novidades para digerir ao mesmo tempo, e a hora de dormir é justamente aquela em que a gente mais precisa do conhecido.
Tem também a empolgação. Os dias de férias são intensos: a praia, a piscina, os priminhos, a hora de dormir mudando de uma noite para a outra. Tudo isso é alegre, mas enche a cabeça, e uma cabeça bem cheia tem dificuldade de se acalmar à noite. É por isso que um quadro estável na hora de dormir se torna ainda mais precioso quando todo o resto se mexe. Sobre as viagens, vale o lembrete: é melhor tentar manter uma certa estabilidade na vida do seu filho, mesmo nas férias, conservando rotinas parecidas para as refeições, as sonecas e a hora de dormir.
As referências que se transportam: a rotina da noite
A primeira referência transportável é o encadeamento dos gestos da noite. Seu filho não sabe onde está dormindo, mas sabe o que vem depois do banho, depois do pijama, depois da história. Essa ordem familiar o tranquiliza, onde quer que você esteja. Uma boa rotina do sono ajuda a criança a acalmar aos poucos o corpo e a mente: é exatamente disso que ela precisa numa cama desconhecida.
A ideia não é reproduzir tudo de forma idêntica, seria impossível numa locação ou na casa de amigos. A ideia é manter a mesma sequência de gestos, na mesma ordem, num horário mais ou menos parecido. O cenário muda, o roteiro permanece. Vale insistir: dar à criança referências de tempo, para que ela saiba o que esperar, aumenta a sua sensação de segurança, o que favorece o sono. Nas férias, essas referências de tempo se tornam o seu melhor aliado.
Uma história que viaja com você
As histórias Tilibou cabem no celular, sem tela acesa. Onde quer que você durma hoje, a mesma voz suave volta: uma referência que tranquiliza quando a cama, por sua vez, mudou tudo. O carinho é você.
Ouvir um episódioO paninho, o travesseiro, a história: a mala das referências
Depois da rotina, são os objetos familiares que fazem mais bem. Na viagem, é aconselhável levar alguns brinquedos e livros preferidos da criança, porque eles lembram a sua rotina e a tranquilizam, mesmo longe de casa. O paninho, claro, encabeça a lista. Para as crianças que têm um, ele é uma fonte de conforto e segurança porque faz o elo entre o conhecido e o desconhecido. Um elo: é exatamente a palavra certa quando se dorme em outro lugar.
Veja uma pequena mala de referências da noite para preparar antes de partir:
- O paninho, evidentemente, e se possível um segundo caso o primeiro se perca na areia ou no carro.
- A fronha ou o lençol de sempre: o cheiro familiar viaja junto, e tranquiliza muito as crianças pequenas.
- A luz noturna, ou na falta dela uma pequena luz suave, para reencontrar a mesma penumbra que em casa.
- Um ou dois livros conhecidos, aqueles que ele pede, em vez de novidades para descobrir na própria noite.
- Uma história em áudio sempre a mesma, que volta noite após noite e se torna de novo uma referência, onde quer que você esteja.
Todos esses objetos têm um ponto em comum: eles cheiram a casa, eles contam a casa. Colocados num quarto desconhecido, deixam-no um pouco mais familiar, e isso costuma bastar para destravar o adormecer.
As primeiras noites: suavidade e paciência
Mesmo bem preparada, a primeira noite costuma ser a mais difícil. Dê a você, e dê a ele, o direito de uma hora de dormir um pouco mais longa do que o habitual. Nos momentos de mudança, é sábio diminuir temporariamente as suas exigências, porque a adaptação leva tempo. Nas férias como em qualquer lugar, uma criança que se sente segura acaba reencontrando o seu sono.
Mostre o quarto à luz do dia, mostre onde você dorme, onde fica o banheiro, como acender a luzinha. Quando a noite chegar, mantenha a hora de dormir mais ou menos estável apesar dos dias que se estendem: vale a pena conservar rotinas parecidas mesmo nas férias. E se uma noite correr mal, não tem problema. Algumas noites costumam bastar para que o lugar desconhecido se torne, ele também, um lugar conhecido.
As perguntas que você se faz
É preciso manter a mesma hora de dormir nas férias?
O máximo possível, sim. As férias permitem um pouco de flexibilidade, mas é aconselhável conservar rotinas parecidas para as refeições, as sonecas e a hora de dormir. Um horário mais ou menos estável e o mesmo encadeamento de gestos dão à criança referências de tempo que a tranquilizam, mesmo longe do quarto dela.
O que colocar na mala para ajudá-lo a dormir?
Os objetos que cheiram a casa. Vale levar alguns brinquedos e livros preferidos, que lembram à criança a sua rotina e a tranquilizam longe de casa. O paninho em primeiro lugar, a fronha de sempre, a luz noturna e uma ou duas histórias conhecidas formam uma pequena mala de referências bem eficaz.
Meu filho acorda à noite num lugar desconhecido, é normal?
É frequente nas primeiras noites, enquanto ele se acostuma ao novo lugar. Vale lembrar que dá para diminuir temporariamente as exigências durante um período de adaptação. Tranquilize-o com calma, mantenha a mesma rotina, e dê algumas noites ao sono dele para se reinstalar. Se as dificuldades se prolongarem bem além da volta, converse com o seu médico.