Dois pequenos personagens sentados no chão passam um brinquedo um para o outro, revezando-se e sorrindo, com o pai zelando ao fundo numa luz suave.
As emoções & a volta à calma

Aprender a compartilhar (e lidar com as brigas): guia para 3-7 anos

Pela equipe Tilibou · Última revisão: junho de 2026 · Leitura: 6 min

"É meu!": se você ouve isso dez vezes por dia, é normal. Compartilhar é uma dificuldade real antes dos 4 anos, porque a criança pequena vê o mundo a partir de si mesma. Você pode acompanhá-la sem forçar: dando tempo a ela, valorizando o revezamento, respeitando os objetos preciosos dela. E quando uma briga estoura, a sua calma desarma mais do que o seu veredito.

Por que meu filho não quer compartilhar nada?

Porque, simplesmente, ele ainda não é capaz disso. E não é egoísmo, é o estágio de desenvolvimento dele. Os especialistas explicam: a noção de compartilhar não é fácil de entender para uma criança pequena antes dos 4 anos, porque ela tem uma visão egocêntrica do mundo. Ela vê a vida a partir das próprias necessidades e tem dificuldade de se colocar no lugar do outro.

Para uma criança pequena, tudo o que está ao seu alcance lhe pertence. Vale a imagem: assim que segura um objeto nas mãos, ela pensa "é meu!", em vez de pensar "tenho vontade de brincar com este objeto!". Pedir para compartilhar nessa idade é pedir algo que ainda não tem sentido para ela.

Com que idade isso vem, de verdade?

Aos poucos, e mais tarde do que se imagina. Os especialistas dão o parâmetro: a criança não entende de verdade o sentido da palavra "compartilhar" antes dos 4 anos. Mesmo aos 5 ou 6 anos, muitas crianças ainda precisam de ajuda para compartilhar.

Por volta dos 4 anos, as coisas se destravam: a criança começa a entender melhor a noção de compartilhar, consegue trocar ideias e brinquedos com mais facilidade e gosta de dar e receber. Por volta dos 5 anos, com a sua ajuda, ela pode entender que, se um objeto é precioso para ela, pode ser o mesmo para outra criança. Em resumo, plantamos cedo, mas colhemos aos poucos.

Como acompanhá-lo sem forçar?

A regra de ouro: incentivar, nunca obrigar. Os especialistas são explícitos: reforce o valor de compartilhar em vez de forçar o seu filho a compartilhar. Em vez de arrancar o brinquedo, proponha: "Você pode brincar com este brinquedo um pouquinho. Mas, quando terminar, quer levá-lo para o seu amigo, que gostaria de ter?"

Três apoios bem concretos. Primeiro, o tempo: dê à sua criança o tempo de descobrir um brinquedo que ela acabou de receber antes de pedir para compartilhá-lo. Depois, o revezamento: "Você brinca alguns minutos com este brinquedo, e depois será a vez do seu irmão." Por fim, o respeito aos objetos queridos: dá para permitir que o seu filho não compartilhe um objeto que tem valor afetivo para ele (por exemplo, o bichinho, a boneca). Um paninho de apego não se compartilha, e está tudo bem assim.

✦ Para ouvir esta noite

"Cada um na sua vez"

Uma história suave em que dois amigos descobrem o prazer de brincar juntos. Para falar de compartilhar sem lição de moral, à noite, sem tela.

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E quando a briga estoura?

Primeira coisa: respirar e se aproximar com calma. Os especialistas aconselham: aproxime-se depressa e com calma das crianças que estão brigando. Manifeste o seu desacordo e interrompa o gesto agressivo, se houver. Nomeie as emoções das crianças e pergunte o que aconteceu.

Segunda coisa: não bancar o juiz. A tentação de achar um culpado é forte, mas não ajuda. Para as crianças maiores, recomenda-se: não repreenda as crianças que discutem e não procure um culpado. Tente, em vez disso, entender o que desencadeou o conflito. E, sobretudo, deixe as crianças procurarem a solução: reservar um tempo para descrever o problema e nomear as emoções sentidas pelas crianças as ajuda a aprender a resolver os próprios conflitos. A gente orienta, não decide no lugar delas.

O seu exemplo, sempre

As crianças aprendem a compartilhar nos vendo compartilhar. Vale lembrar: seja um modelo. Quando você compartilha com ele, ele aprende a se comportar da mesma forma com os outros e a dar de forma espontânea. Uma pá emprestada ao vizinho, um bolo cortado ao meio na frente dele: esses pequenos gestos falam mais do que mil instruções.

Pense também nas brincadeiras que fazem equipe. Vale favorecer as brincadeiras que permitem a colaboração e a cooperação, como blocos de montar, quebra-cabeças ou jogos de tabuleiro em dupla. Quando se constrói junto, compartilhar vira um prazer, não uma obrigação.

Alguns parâmetros para o dia a dia

Para transformar "é meu" em "agora é seu":

  1. Dê tempo a ele para se apropriar de um brinquedo antes de propor compartilhá-lo.
  2. Introduza o revezamento: um momento para cada um, é concreto e justo.
  3. Respeite os objetos preciosos dele. O paninho de apego tem o direito de continuar sendo só dele.
  4. Em caso de briga, aproxime-se com calma, nomeie as emoções, deixe-os procurar a solução.
  5. Dê o exemplo e prefira as brincadeiras de cooperação. Compartilhar se aprende brincando.

Uma palavra para respirar: uma criança que ainda não compartilha não é uma criança egoísta. É uma criança cujo cérebro ainda não terminou de crescer. Com a sua paciência e com o tempo, compartilhar virá sozinho.

As perguntas que você se faz

Devo forçar meu filho a emprestar os brinquedos?

Não. Os especialistas aconselham reforçar o valor de compartilhar em vez de forçar a criança a compartilhar. A gente dá a ela o tempo de aproveitar o brinquedo, propõe o revezamento e respeita os objetos que têm para ela um valor afetivo, como o paninho de apego. O compartilhar imposto cria tensões; o compartilhar incentivado cria a vontade.

A partir de que idade meu filho saberá compartilhar?

Isso se constrói aos poucos. A criança não entende de verdade o sentido da palavra compartilhar antes dos 4 anos, e mesmo aos 5 ou 6 anos, muitas ainda precisam de ajuda. Por volta dos 4 anos, ela começa a trocar com mais facilidade e a gostar de dar. Cada criança vai no seu ritmo: acompanhá-la importa mais do que apressá-la.

Como reagir quando duas crianças brigam por um brinquedo?

Aproxime-se com calma e interrompa qualquer gesto agressivo. Nomeie as emoções de cada uma e pergunte o que aconteceu, sem procurar um culpado. Ajude-as a encontrar uma solução por conta própria, por exemplo um revezamento. Se uma não quiser emprestar, não force: explique à outra que ela poderá pedir de novo mais tarde.

Bom saber. Este artigo é informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde ou do desenvolvimento infantil. Se os conflitos do seu filho com os outros forem muito frequentes, muito intensos ou preocuparem você de forma duradoura, converse com o seu médico, com o seu pediatra ou com um profissional.
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Escrito pela equipe Tilibou. Criamos histórias para a hora de dormir para crianças de 3 a 7 anos, e lemos muito para acertar o tom. Nossos artigos citam fontes de referência; eles não substituem um profissional de saúde.
Fontes. Este artigo se baseia nas recomendações de autoridades reconhecidas em saúde infantil e da Organização Mundial da Saúde (link). É informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde.