Ajudar seu filho a nomear as emoções
Colocar uma palavra no que a gente sente é algo que se aprende. Uma criança de 3 a 7 anos vive emoções fortes sem saber sempre nomeá-las, e é isso que muitas vezes transborda em gritos ou lágrimas. Você pode ajudá-la, de um jeito bem simples: nomeando a emoção por ela no começo, percebendo os sinais no corpo dela e passando por histórias em que os personagens sentem as mesmas coisas que ela.
Por que uma criança tem dificuldade de dizer o que sente?
Porque é complicado, até para nós. O site quebequense Naître et grandir deixa isso claro de saída: “não é fácil para ela entender o que sente. Às vezes ela fica tomada pelas emoções e incapaz de controlá-las”. Uma criança pequena ainda não dispõe das palavras, nem do distanciamento, para analisar o que se passa dentro dela. A emoção chega, enorme, e sai como pode.
Ajudá-la a nomear não é pedir que ela se acalme. É lhe dar uma chave para o que a atravessa. Quando uma emoção tem um nome, ela já assusta um pouco menos.
Nomear a emoção por ela, para começar
A primeira etapa é a mais simples, e é você quem a faz. O Naître et grandir aconselha “começar nomeando emoções que você observa nela, como a alegria, a tristeza, a raiva e o medo”. Na prática, isso dá frases bem simples: “Você está chorando, está triste porque a mamãe vai sair?”
Não precisa exagerar. A gente observa, coloca uma palavra, confere. A criança ouve que o que ela vive tem um nome, que ela é compreendida, e que não tem problema sentir isso. O Naître et grandir, aliás, insiste nesse ponto: levar as emoções dela a sério ajuda a criança a se sentir “tranquilizada, compreendida e reconfortada”. À medida que ela cresce, dá para nomear emoções mais sutis, como “a decepção, a culpa e o ciúme”.
Perceber o que acontece no corpo
Uma emoção se sente antes de se dizer. A barriga que aperta, os punhos fechados, o coração que bate rápido. Ensinar a criança a perceber esses sinais é lhe dar um alarme só dela. O Naître et grandir sugere nomear esses sinais físicos, antes de perguntar à criança se ela estava com raiva: “Você estava gritando e com os punhos fechados quando viu sua irmã quebrar sua torre de blocos.”
Esse “nó no estômago”, justamente, muitas crianças conhecem. Nomeá-lo já é torná-lo menos invasivo. E é uma referência que a criança poderá reutilizar sozinha, mais tarde, para entender que uma emoção está subindo.
“O nó na barriga”
Uma história suave em que a emoção que aperta a barriga enfim encontra um nome. Perfeita para ajudar seu filho a colocar palavras no que sente, sem telas.
Ouvir a históriaAs histórias, uma porta de entrada para as emoções
É aí que a narrativa se torna uma ferramenta de verdade no dia a dia. Um personagem que fica com raiva, que tem medo, que chora e depois se consola: a criança o observa de fora, e isso a ajuda a reconhecer as próprias emoções. O Naître et grandir recomenda isso explicitamente: “Folheie livros com o seu filho para mostrar a ele personagens que vivem emoções. Certas histórias podem ajudá-lo a domar de um jeito divertido emoções como a raiva, a tristeza ou o medo.”
A brincadeira também funciona muito bem. O Naître et grandir propõe se divertir “diante de um espelho imitando diferentes emoções”, ou brincar com fantoches e bonecos. A ideia é sempre a mesma: dar à criança um terreno de brincadeira onde a emoção se vive sem risco, e onde ela acaba ganhando um nome.
Algumas frases simples para acompanhá-la
Se você procura por onde começar, aqui vão apoios concretos:
- Nomeie o que você vê: “Você está com raiva”, “Você parece triste”. Sem interpretar, só constatar.
- Ligue a emoção ao corpo: “Você sente um nó no estômago? Seus punhos estão fechados?”
- Valide: “É normal sentir isso. Eu estou aqui.”
- Fale também das suas próprias emoções, de um jeito simples. A criança aprende que todos temos o direito de senti-las.
- À noite, deixe uma história fazer o resto: um personagem que sente a mesma coisa, e a emoção se acomoda mais suavemente.
Uma palavra de tranquilidade antes de terminar: isso leva tempo. A gente nomeia hoje, renomeia amanhã, e um dia a criança faz isso sozinha. É a repetição, não o desempenho, que conta.
As perguntas que você se faz
A partir de que idade uma criança sabe nomear as emoções?
Isso se constrói aos poucos, e cada criança vai no seu ritmo. No começo, é o pai ou a mãe que nomeia a emoção por ela, como sugere o Naître et grandir. Por volta dos 3 anos, a criança começa a reconhecer as emoções básicas (alegria, tristeza, raiva, medo) e, depois, emoções mais complexas à medida que cresce. O importante é acompanhá-la, não apressá-la.
O que fazer se meu filho se recusa a falar do que sente?
A gente não obriga. O Naître et grandir lembra que uma criança muito brava ou muito agitada não está em condições de falar: é melhor reconfortá-la e esperar que ela se acalme. A brincadeira, o desenho ou uma história em que um personagem vive a mesma emoção são caminhos mais suaves do que a conversa direta.
As histórias ajudam mesmo a reconhecer as emoções?
Sim, é um caminho reconhecido. O Naître et grandir aconselha mostrar à criança personagens que vivem emoções, pois a narrativa a ajuda a domar a raiva, a tristeza ou o medo de um jeito divertido. A criança se reconhece no personagem e coloca mais facilmente uma palavra no que vive.