Ajudar seu filho a fazer amigos
Ele fica parado na beira do grupo, observando os outros brincarem sem ousar se aproximar. E você, no banco, morre de vontade de empurrá-lo um pouquinho. Boa notícia: fazer amigos se aprende, no ritmo de cada um. Veja como acompanhá-lo sem forçar, e por que a timidez dele não é um problema a ser resolvido.
Por que ele observa antes de brincar (e isso é normal)
Antes dos 5 ou 6 anos, muitas crianças observam por bastante tempo antes de se lançar. Elas costumam brincar lado a lado em vez de juntas, cada uma na sua bolha, e isso é uma etapa, não um atraso. A amizade no sentido que entendemos, dividir, esperar a vez, fazer as pazes, se constrói aos poucos, e cada criança avança no seu tempo.
É pela brincadeira que a criança aprende a se relacionar, a cooperar e a lidar com os pequenos conflitos. Em outras palavras, não é dando lição que ele vai progredir, mas brincando, de novo e de novo. Seu filho que observa não está passivo: ele estuda as regras do jogo social antes de ousar entrar nele.
A timidez, por sua vez, não é nem um defeito nem uma fatalidade. Uma criança reservada simplesmente precisa de mais tempo para se sentir segura. Apressá-la («Vai lá com os amigos, vai!») costuma produzir o efeito contrário: ela se fecha ainda mais. Respeitá-la onde ela está já é uma forma de ajudar.
Preparar o terreno em casa
As primeiras amizades muitas vezes acontecem longe do parquinho: em casa, na calma, a dois. Uma criança que se sente sobrecarregada num grupo grande pode florescer tranquilamente com um único amigo, no seu território, com os brinquedos dela.
Algumas ideias para facilitar esses encontros:
- Convide uma criança de cada vez, em vez de uma turma inteira. É menos intimidante e a troca é mais rica.
- Prepare uma atividade simples para dividir: massinha, blocos de montar, um bolo para decorar. Ter algo para fazer juntos tira a pressão de «conversar».
- Fique por perto sem dirigir tudo. Sua presença tranquiliza, mas deixe-os inventar a brincadeira deles.
- No começo, mantenha os encontros curtos. Melhor meia hora bem-sucedida do que uma tarde que termina em lágrimas de cansaço.
Em casa, você também pode brincar de situações sociais com leveza. Com bichinhos de pelúcia ou bonecos, encene um personagem que pergunta «Posso brincar com você?». Sem transformar em lição, você dá a ele palavras para usar no dia em que precisar.
As histórias Tilibou
Nossos heróis se encontram, brigam um pouquinho, e depois se reencontram. Histórias de ninar suaves em que a amizade se vive com delicadeza, perfeitas para falar dos amigos na hora do aconchego.
Ouvir um episódioDar a ele ferramentas para ousar o primeiro passo
Aproximar-se de outra criança é um pequeno salto no escuro. Dá para ajudá-lo a pousar com suavidade soprando frases bem simples. «Você pode perguntar: posso brincar com vocês?» Uma porta de entrada concreta vale mais do que dez incentivos vagos.
Valorize também os menores avanços. Um sorriso trocado, um brinquedo emprestado, um oi murmurado: já são sementes de amizade. Ao nomeá-los à noite («Vi que você deu a sua pazinha para a menininha, foi gentil»), você mostra a ele que sabe fazer, e isso dá vontade de repetir.
Aceite também que ele tem o direito de dizer não. Nem toda criança precisa de uma grande turma de amigos, e algumas preferem uma ou duas amizades sólidas. O que importa não é o número, mas que ele se sinta bem. Forçar a sociabilidade de uma criança reservada é mandar a ela a mensagem de que não está certo do jeito que é.
E quando emperra?
Vai haver vezes em que não vai dar certo. Um amigo que diz não, uma brincadeira que termina cedo, uma briga. Esses pequenos desgostos fazem parte do aprendizado, e o seu papel não é evitá-los, mas acolher a emoção que vem depois. «Você está decepcionado, eu entendo» costuma fazer mais bem do que uma grande explicação.
Evite dramatizar ou, ao contrário, minimizar. Um «não é nada» varre rápido demais o que ele sente. Melhor reconhecer a tristeza, e depois ajudá-lo a olhar adiante: «Amanhã vocês podem tentar de novo.» A amizade, como tudo o mais, se aprende por tentativas e por aconchegos.
As perguntas que você se faz
Meu filho é muito tímido, isso é preocupante?
A timidez é um temperamento, não um problema a corrigir. Muitas crianças precisam de tempo para se abrir aos outros, e é pela brincadeira que aprendem a se relacionar. Respeitá-la no seu ritmo ajuda muito mais do que empurrá-la.
É preciso forçar meu filho a ir até os outros?
Não. Apressar uma criança reservada costuma fechá-la ainda mais. Melhor preparar o terreno: convidar um amigo para casa, propor uma atividade para dividir, soprar algumas frases para ela ousar. A ideia é criar ocasiões simples, não obrigá-la.
A partir de que idade as crianças brincam de verdade juntas?
Antes dos 5 ou 6 anos, as crianças costumam brincar lado a lado antes de brincar de verdade juntas. Cooperar, esperar a vez e fazer as pazes se aprende aos poucos. Cada criança avança no seu ritmo, e observar os outros faz parte desse aprendizado.