O nó no estômago: entender a ansiedade do seu filho (3-7 anos)
O nó no estômago, à noite, na porta da escola, no escuro: muitas crianças conhecem isso. É ansiedade, e é normal que uma criança a sinta de vez em quando. O seu papel não é fazê-la desaparecer com um passe de mágica, mas acolher o medo dela sem negar nem dramatizar, colocar palavras nisso e ficar perto dela. E, se ele se instala, pedir orientação a um profissional.
O que é esse "nó no estômago"?
Muitas vezes é assim que começa: não por palavras, mas pelo corpo. A barriga que aperta, o coração que dispara, às vezes dor de cabeça. Dores de cabeça, dores de barriga, enjoo ou uma respiração mais rápida podem ser sinais de ansiedade. O nó no estômago é isso. Um sinal físico de uma emoção grande demais para ser dita.
E essa emoção tem um nome: a ansiedade. Nada de anormal em si. Ela é definida de um jeito simples: a ansiedade é uma reação normal diante de um perigo percebido. Percebido, essa é a palavra-chave. Com a ansiedade, o medo de uma situação costuma ser imaginado ou exagerado em relação à situação real. O monstro debaixo da cama não existe. O medo, esse, é bem real.
É normal uma criança ser ansiosa?
Sim. De verdade. Esta é provavelmente a frase mais tranquilizadora de todo este artigo: é normal que uma criança sinta ansiedade de vez em quando. A novidade, a separação, o escuro, uma mudança em casa: tudo isso pode despertar esse nó. Uma criança de 3 a 7 anos descobre o mundo, e o mundo às vezes assusta.
A ansiedade só se torna motivo de preocupação quando se instala e atrapalha a criança no dia a dia. Falamos disso mais abaixo. Para a imensa maioria dos pequenos nós no estômago, o que a criança precisa é de um adulto calmo ao lado dela.
Como reagir, sem exagerar nem fazer de menos?
É todo o equilíbrio. Nem minimizar ("que nada, não é nada"), nem dramatizar ("ai meu Deus, coitadinho"). A orientação é certeira: não dramatize a situação que seu filho vive, mas também não a minimize. O medo dele é real. Faça-o sentir que você o leva a sério e que não está zombando dos receios dele.
Há também a sua própria atitude. As crianças nos leem como um livro aberto. Se uma situação te angustia mesmo sem apresentar perigo, seu filho percebe. Por isso, vale manter a maior calma possível quando uma situação te deixa ansioso, mas não representa um perigo real. A sua calma também é contagiante.
E, depois, há as palavras. Nomear o que se passa desarma muita coisa. Vale ajudar a criança a colocar palavras nas emoções, porque nomear e reconhecer as emoções do seu filho mostra a ele que elas são importantes e que têm o direito de existir. O nó no estômago que tem um nome já assusta um pouco menos.
"O nó no estômago"
Uma história suave em que a emoção que aperta a barriga enfim encontra um nome, e um pouco de espaço para respirar. Para ouvir aconchegados juntos, sem telas.
Ouvir o episódioAs histórias podem ajudar?
Sim, e é um caminho bem suave. Em vez de enfrentar de frente o que inquieta, a gente passa por um personagem. A sugestão é direta: você pode primeiro tentar habituar a criança a uma coisa contando uma história que se pareça com o que ela vive.
A criança escuta, reconhece um pouco de si mesma no herói e doma o medo à distância, sem risco. Uma história para dormir em que um pequeno personagem fica com o nó no estômago e depois descobre como acalmá-lo: eis um momento de reasseguramento mais eficaz do que um longo discurso. A voz que narra faz o resto.
Quando é preciso falar com um profissional?
Esta é a parte mais importante, e o motivo pelo qual ficamos cuidadosos. Um nó no estômago passageiro a gente atravessa em casa. Mas quando a ansiedade se instala e transborda, não dá para ficar sozinho com isso.
Há referências claras. Primeiro a duração: depois de uma mudança importante, esse tipo de ansiedade costuma ser temporário. Ainda assim, é recomendável procurar um profissional se ela durar mais de um mês. Depois o impacto na vida da criança, quando a ansiedade prejudica o funcionamento e o bem-estar dela: ela dorme pior, recusa comida ou come mais do que o habitual, se isola ou perde o interesse pelas brincadeiras que costuma gostar.
Nesses casos, a gente não improvisa. A gente fala sobre isso. A recomendação é explícita: procure então um profissional (por exemplo: médico, pediatra, psicólogo, assistente social). O seu médico ou o seu pediatra é um bom ponto de partida. Não é um fracasso pedir ajuda. É exatamente o reflexo certo.
Alguns gestos simples para acompanhá-la
Enquanto isso, e para os pequenos nós do dia a dia, aqui vão apoios concretos:
- Acolha o medo dela sem negar: "Vejo que você está com o nó no estômago. Eu estou aqui."
- Não zombe, não dramatize. O medo dela é real, mesmo que a causa pareça pequena para você.
- Coloque uma palavra no que ela sente. Uma emoção nomeada fica mais fácil de carregar.
- Mantenha a calma quando não há perigo. A sua calma a tranquiliza.
- Passe por uma história: um personagem que vive a mesma coisa, e o medo se doma de longe.
Uma última palavra para respirar: acompanhar não é resolver tudo. É ficar ali, noite após noite, até o nó se desfazer. E se ele não se desfizer, é saber a quem recorrer.
As perguntas que você se faz
Meu filho costuma sentir dor de barriga à noite: é ansiedade?
Pode ser um sinal. Dores de barriga, de cabeça ou uma respiração mais rápida podem acompanhar a ansiedade. Mas uma dor de barriga tem muitas causas possíveis. A regra é simples: um sintoma físico que volta, que preocupa ou que dura se conversa com seu médico ou seu pediatra, que poderá distinguir as coisas.
É preciso forçar meu filho a enfrentar o que lhe dá medo?
Não, nada de forçar. Vale mais habituar a criança com suavidade, por exemplo contando uma história que se pareça com o que ela vive. A gente avança em pequenos passos, ficando ao lado dela e levando o medo a sério, sem apressá-la.
A partir de quando devo me preocupar?
Quando a ansiedade dura e transborda. É recomendável procurar um profissional se uma ansiedade ligada a uma mudança persistir por mais de um mês, ou se atrapalhar o dia a dia da criança: sono perturbado, apetite alterado, isolamento, perda de interesse pelas brincadeiras. Nessas situações, converse com um médico, um pediatra, um psicólogo ou um assistente social.