O paninho do Kraken
Desde a madrugada, um ronco fundo sacode o arquipélago das Mil Enseadas, e ninguém consegue dormir. O Moustache reconheceu o barulho na hora: é o Kraken, a maior criatura do mar, tão imensa que só dá para ver os braços dela, e que mete medo em todos os marinheiros. O mapa que chega está encharcado, parecem lágrimas. Vá até o grandão que assusta no escuro, porque o maior dos gigantes carrega uma tristeza enorme quando anoitece. Na Sardinha Real, o Tom entende rápido: o Kraken grita vão embora, só que chora ao mesmo tempo. Quem chora não quer fazer mal, quem chora está com dor. O gigante perdeu a Étoilette, uma pequenina estrela-do-mar cor-de-rosa que canta uma canção de ninar para ele toda noite, e sem ela ele não dorme. E quanto mais ele revira o mar procurando, mais corre o risco de levar a estrelinha para longe. A primeira ideia do Tom é procurar com a lanterna. Mas à noite o mar brilha inteiro, e tem luzinha demais para achar uma estrela só. Então o Tom apaga a lanterna e propõe procurar com os ouvidos. No silêncio escuro, dá para ouvir a cançãozinha da Étoilette, sozinha lá no fim da baía. Seguindo esse canto, os dois encontram a estrelinha e a colocam no nariz do Kraken, que enfim fecha os olhos enormes e sorri. A Étoilette deixa uma pontinha dela para o baú: a oitava lembrança. Uma aventura cheia de ternura, perfeita para o ritual da hora de dormir. A criança descobre que um paninho acalma e consola até o maior e mais impressionante dos gigantes. E que quem faz um barulhão muitas vezes esconde uma tristeza grande, que é melhor escutar do que evitar. História de ninar sem telas, pensada para crianças de 3 a 5 anos, ideal para ouvir na hora de dormir, no carro ou antes da soneca. O final fica bem suave, sem música, e o episódio termina com todo mundo pegando no sono: dá vontade de abraçar o paninho bem forte antes de fechar os olhos. Todas as histórias para dormir da Tilibou em



