O bolo quase queimado da Rosa
Uma história para dormir para crianças. Na praça de Bellacolina, um cheiro estranho paira sobre as pedras, um cheiro de açúcar quente que vira queimado. Ele vem da padaria da Rosa, que prepara o bolo grande da festa do vilarejo desde de manhã cedo. O forno velho dela, temperamental há anos, resolveu esquentar o dobro nessa noite. Quando o quartel chega, tem fumaça, mas nenhuma chama: é só um bolo passado do ponto, nada mais, e o único chamado de toda a temporada. Já a Rosa está desolada. O bolo está preto por cima, a noite já caiu, e ela repete sem parar que nunca vai ter tempo de fazer outro. O Marco tem o reflexo da mangueira, e a Capitã Marta o detém bem na hora: encharcar a padaria afogaria tudo à toa. Abrem então todas as janelas e sacodem panos de prato, mas a fumaça só roda em círculos pelo cômodo. É o Nino quem olha para outro lugar, não a fumaça, mas o forno. Ele vê a pequena válvula de saída presa lá atrás, aquela em que ninguém nunca pensa em abrir, e com um gesto a fumaça sai sozinha. Depois ele vira o bolo: por baixo, está perfeito. Ao longo da história, seu filho aprende que um acidente não é uma travessura, e que ninguém precisa ser apontado como culpado para que a gente conserte as coisas. Ele também descobre que muitas vezes dá para salvar o que parecia perdido, contanto que a gente olhe de outro ângulo. Todo mundo se junta para fazer um segundo bolo, cada um com a sua tarefa, e ele sai do forno ainda melhor do que o primeiro. De volta ao quartel, o Marco lustra o Grande Vermelho contando a missão, as botas se alinham da maior para a menor, e o toque de sino da noite encerra o dia. Ninguém diz à Rosa que ela deveria ter ficado de olho no forno. Fazem ela soprar, como numa velinha de bolo, e arregaçam as mangas junto com ela: essa maneira de consertar juntos, em vez de procurar um culpado, é todo o espírito das histórias para dormir da Tilibou. E enquanto isso, na padaria, a massa descansa em silêncio e o forno esfria fazendo tiquetaques bem baixinhos. Uma história de bombeiro sem telas, pensada para crianças a partir dos 3 anos, ideal para ouvir bem quentinho na hora de dormir, no carro ou antes da soneca. Como sempre na Tilibou, o final fica bem suave, sem música, para deslizar rumo ao sono sem acordar ninguém. Todas as histórias para dormir da Tilibou em



